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08 abril 2009 

Poéticas, dia 2: «O importante são as canções»

Poéticas do Rock em Portugal: Perspectivas críticas de uma literatura menor

E ao segundo dia, o rock voltou à Faculdade, provocou («e se a literatura é que fosse uma arte menor por lhe faltar a música?»), deu que pensar («a canção é mais do que letra e música», «não é literatura nem música, é uma terceira coisa»), fez rir («nunca pensei vir falar de black-metal norueguês na Faculdade de Letras») e encheu a sala. Aqui fica o que fica da terça-feira:


«Apesar de algum atraso e da pouca afluência de público, o segundo dia do colóquio Poéticas do Rock em Portugal começou ao som dos Xutos & Pontapés (ao contrário do que estava previsto no programa, a comunicação de Michka Assayas ficou para a segunda sessão da manhã).

Pedro Félix (que tem seguido de perto o percurso da banda de "Contentores") propôs-se olhar de uma forma antropológica e etnográfica para as letras das canções dos Xutos. Destacando os versos de "Remar, Remar" (para muitos, o melhor exemplo da "poesia" da banda), Félix falou dos problemas de articulação (entre letra e música) e de expressão do rock e conclui que uma canção rock é mais do que a soma de letra e de música (há que contar com as emoções e com as leituras que cada ouvinte faz da letra e da música).

Depois de acalorada discussão (ou não fosse o tema a banda que agora festeja o 30º aniversário), o jornalista francês Michka Assayas trouxe à cena a criação de personagens no rock, contando a história de três vultos da música contemporânea: Robert Zimmerman, Paul Hewson e Marshall Matters. Ou seja, Bob Dylan, Bono e Eminem - três exemplos de jovens com adolescências desinteressantes que, através da busca por uma identidade própria e da "auto-fabricação" de uma outra personagem (mais do que um pseudónimo), criaram três das maiores celebridades do rock. De caminho, falou-se ainda de outras "personagens", como Iggy Pop, David Bowie e Mick Jagger.

A manhã acabou, não ao som, mas com o som das palavras escritas por Rui Reininho, numa análise das "Líricas Come On & Anas" do vocalista dos GNR e dos seus mais frequentes jogos fonéticos.

Pela tarde, antes ainda da primeira mesa-redonda do colóquio, discutiu-se o rock no Portugal dos anos 80 (falou-se de Mão Morta, de Pop Dell'Arte, da Sétima Legião e do Rock Rendez-Vous).

Finalmente, casa quase cheia para ouvir Fernando Ribeiro e JP Simões (os únicos dos cinco convidados que "voltaram à Universidade") falar das influências literárias das suas composições e da forma como encaram as suas letras. Por entre referências aos escritores JRR Tolkien, Edgar Allan Poe ou Oscar Wilde e aos "poetas-rock" Jim Morrisson (o escritor de "poemas-rock" por excelência, para Fernando Ribeiro) e Nick Cave (que, recordou o vocalista dos Moonspell, analisou e dissecou, numa conferência, uma canção de.... Kylie Minogue), os músicos deixaram bem presente que encaram as canções como algo mais do que só literatura ou só música, mas uma "terceira coisa" (palavras de JP Simões) e as letras das canções como "poesia activa" (disse-o Fernando Ribeiro).

Quarta-feira, o colóquio despede-se com mais uma mesa-redonda - desta vez, o tema é o "Rock nas Artes", com a presença de Tiago Guillul ou Manuel João Vieira, entre outros. Antes, ao longo do dia, vai falar-se de punk, de hip-hop, dos Gift, dos Belle Chase Hotel e, mais uma vez, dos Xutos e de Rui Reininho.»


(@ Blogue da 3)

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