13 novembro 2009 

Breviário de palcos: Deste lado do espelho

Limiar, João Silva

É no limiar da loucura, entre a fantasia e a normalidade, que se contam os contos alternativos que se partilham neste novo espectáculo - o de um capuchinho vermelho no limiar do proibido, o de um país de maravilhas deste lado de um espelho estilhaçado, os dos seus próprios monstros na ponta da língua. Talvez demore a arrancar, talvez não seja a mais imediata das peças do GTT, mas é difícil não nos deixarmos levar pelas estórias confessadas em palco. Sobretudo, quando os figurinos (timburtonianos) e a banda-sonora (belíssima, de Adriano Filipe) sublinham de forma tão eloquente as inquietações do texto (denso aqui, hilariante ali) de João Silva.
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11 outubro 2009 

Breviário de palcos: esta tarde, representa-se

Seis personagens à procura de autor

«ENCENADOR
Mas tudo isso é narração, meus senhores!

FILHO
Literatura, literatura!

PAI
Qual literatura! Isto é a vida, senhor. Paixão...

ENCENADOR
Será. Mas irrepresentável!»
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29 junho 2008 

Breviário de palcos: bestiário de sonhos

O Circo Invisível

Podem ser os rótulos a encher a sala («os inventores do Novo Circo», «os inspiradores do Cirque du Soleil», a filha de Charlie Chaplin), podem ser os truques de ilusionismo e as palhaçadas de circo a abrir os olhos e os sorrisos das crianças, mas aquilo que realmente sobressai do circo de Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée é a forma divertida e bela como ambos subvertem as regras do velho circo num espectáculo louco e mágico, hilariante e surrealista, onde pêras dançam sozinhas e biombos toureiam cadeiras, onde coelhos e patos partilham o palco com restos de bicicletas e bules gigantes levam marionetas pela mão, onde o ilusionismo é uma desculpa para a piada e o malabarismo é apenas um meio para a verdadeira ilusão. Se estivessem na plateia, Dali, os irmãos Zucker e Alice veriam como é o circo do outro lado do espelho.
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04 maio 2008 

Breviário de palcos: «It's only rock n'roll but I like it»

Rock'n'Roll, Tom Stoppard

«For I heard you singing through the gloom
singing and singing, a merry air
lean out the window, golden hair...
»

Da Primavera de Praga à Revolução de Veludo, do lançamento de The Piper at the Gates of Dawn à actuação dos Rolling Stones em Praga, Rock'n'Roll é uma mui interessante lição de história política e musical, onde comunistas e dissidentes, onde Karl Marx e Syd Barrett, onde um velho filósofo marxista inglês e um jovem professor idealista checo percorrem lado a lado mais de vinte anos da vida de um país que já não existe e de um outro em profunda transformação, ao som de uma banda-sonora que não se limita a dar música, mas a dar que pensar. Em palco, aplausos para as capas dos discos, para o cheiro do vinil e para o trio de protagonistas.
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26 janeiro 2008 

Breviário de palcos: «we are functioning automatic / and we are dancing mechanic»

Evil machines, Terry Jones

É uma divertida parábola, a que está por trás do regresso ao palco do São Luiz da dupla Terry Jones / Luís Tinoco. Mas depois do três pequenos Contos Fantásticos, este soa a conto esticado. Uma estória tão bonita quanto bizarra, com figurinos a condizer (e que figurinos!) e uma encenação polvilhada com os trejeitos de Terry Jones que recordamos de outros tempos. Infelizmente, a música acaba por ser o elo mais fraco - cheia de referências curiosas e agradáveis piscares de olho, mas sem canções nem linhas melódicas nem sequer um tema para ficar no ouvido e dar a Evil Machines a pujança que a história e o visual e a encenação pedem. Uma fantasia musical com fantasia q.b. e musical a menos.
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25 janeiro 2008 

Breviário de palcos: ao cabo das tormentas

No cais, João Silva

«A vida completa não é banda-desenhada.»

Desde sempre (ou, pelo menos, desde que me lembre), as obras do Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos se fizeram de confissões, revelações e memórias, de histórias vividas e contadas pelos actores. Mas nunca (pelo menos, desde que me lembre) uma obra do GTT foi tão profundamente íntima e pessoal como esta última, feita de fantasmas secretos, de medos privados, de episódios tão duros que só o dizê-los - e dizê-los frente a uma plateia cheia - merece mais ovações que o mais célebre dos actores. É que neste Teatro não há teatro. Há históris de vidas cruelmente reais, dissecadas entre risos e danças, por trás de falas escritas e máscaras que revelam mais do que o que escondem.
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13 janeiro 2008 

Breviário de palcos: ser ou não ser, eis a questão

Dúvida, John Patrick Shanley

Não há dúvida: quando se junta um belo texto, excelentes actores e um cenário simples mas eficaz (e uma banda-sonora no ponto), a coisa só pode correr bem. E nesta reposição da peça que encheu salas há quase um ano, Eunice Muñoz e Diogo Infante dão uma lição de interpretação: ela, frágil mas fulgurante; ele, sólido e seguro. Dúvida é, sem dúvida, uma das melhores provas de que pode haver bom teatro em Portugal e de que o bom teatro enche salas em Portugal.
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08 dezembro 2007 

Breviário de palcos: Terry and the amazing technicolor orchestra

Contos fantásticos, Terry Jones

A premissa é simples: um homem lê três contos infantis acompanhado por uma orquestra. O homem é um sorridente Terry Jones que não se limita a ler mas a viver as estórias de Poppy, de Tom, das gotas de chuva. Os contos são mesmo fantásticos e, no fim, sabem a pouco. E a orquestra, essa, bate o pé, brinca, sorri e surpreende a cada momento, graças ao sentido de humor das composições de Luís Tinoco, que conseguem alimentar a narrativa e dar vida à estrada rápida, à poça de lama, ao estômago do dinossauro. Absolutamente, something completly different.
(Único problema: sábado à noite e só meia centena de pessoas numa sala de teatro meio-vazia no centro de Lisboa para ver um Monty Python?)
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11 novembro 2007 

Breviário de palcos: o rei da barba e do bigode

Sweeney Todd

Sangrento, assustador, hilariante... gore! Assim é o 'grusical' de Stephen Sondheim. Assim é a versão de João Lourenço. Assim é a história do terrível barbeiro de Fleet Street e da sua vingança, numa Londres metálica, encenada a negro e fumo e morte, encaixada num palco recheado de boas soluções técnicas e cantada a vozes de várias cores. Como as de Mário Redondo e Ana Ester, que enchem a sala entre uma empada e uma navalhada. Só as muitas vozes de Londres ficam às vezes para lá do fosso da orquestra, sem espaço para se projectarem. Mas na hora da ovação, o que interessa são as boas interpretações e as canções de tradução infalível.

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23 setembro 2007 

Breviário de palcos: a história da montanha da água lilás contada às criancinhas

Lupis, jacas e lupões

Transformar uma fábula de Pepetela sobre o petróleo e a ganância e a sede de poder numa peça infantil é já um desafio. Transformá-la, e transformá-la bem, numa tarde agradável para crianças que faz as crianças quererem subir ao palco para ajudar os lupis e apontar o dedo aos maus e avisar os bons que «eles estão a mentir», já é tarefa notável. E conseguir isto tudo numa pequena sala de um grupo de teatro amador nos arrabaldes do Seixal, isso então é digno de respeito e admiração. Quanto ao resto, não é todos os dias que se pagam três euros para passar uma horinha e meia muito bem passada no teatro.
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Breviário de palcos: a seita tem um radar

Cabeças no ar

Algures entre Fame e os Morangos com açucar, o musical de Carlos Tê tem o mérito de encher a plateia do São Luiz de crianças e de lhes dar algo mais do que o habitual e o normalinho. Se, além disso, nos abstraírmos da coreografia e dos figurinos e dos cenários (que não deixam de ser bons e bem feitos, mas a questão é: porque é que neste país, sempre que se faz um musical sobre crianças ou adolescentes, levamos sempre com os mesmos cenários, os mesmos figurinos, as mesmas coreografias?), dos pulos da história, do facto de que adolescentes não falam à poeta e da memória daquelas canções nas vozes do Tim e do João Gil e do Rui Veloso, o resultado acaba por ser uma noite bem passada, com direito a merecida ovação a um grupo de alunos que pôe qualquer outro elenco juvenil de musicais deste país a um cantinho.
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14 julho 2007 

Breviário de palcos: ça c'est la grande seca

Crazy Horse

Se alguém lhe oferecer convites para o Crazy Horse, isso é... uma chatice! Enfim, o espectáculo pode ter sido um bom espectáculo na Paris dos anos 50. Mas hoje em dia é um softcore tão soft que nem chega a ser core. É certo que há dois ou três bons momentos musicais (Champagne taste, Chaing gang), uma ou outra coreografia mais interessante (Lola, Attitude) e as moças, claro, as moças... Mas de resto, aquilo anda entre o show de strip decadente e o cabaré circense manhoso. E ainda por cima, está deslocado: aquilo é para ver no palco do Maxime, não num auditório fino de Casino! No fim de contas, entre os bocejos da companhia e os olhos esbugalhados dos velhotes das filas da frente (que devem ter visto mais maminhas numa hora e meia do que nas últimas décadas), salvam-se as moças, claro, as moças. As moças e os nomes delas: afinal, qualquer espectáculo que tem protagonistas com nomes como Lady Pousse-Pousse, Dolly Doll, Loa Vahina, Mac Made In France ou Fasty Wizz merece mais do que um sorriso maroto e uma palmadinha nas costas.
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18 maio 2007 

Breviário de palcos: tamanho é argumento



O rabo. A Rueff. Os gordos. A Simara. Os anões. O Cláudio Ramos. Os pontos negros e o Oceano. O Papa. A fome em África. A camionete de caixa aberta e a Noruega. A Lady Di. O 11 de Setembro e os 11 segundos. O carro à frente dos bois e o "'tás a dormir?". Os pastorinhos e a Fátima. Os senhores da TV Cabo e os 10 mil milhões de L. Casei Imunitass. O Cláudio Ramos outra vez. A Ana Malhoa.
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25 março 2007 

New York report: breviário de palcos

Avenue Q

Nada a ver com Andrew Lloyd Webber e afins, nada a ver com Tarzans e Reis Leões e, apesar do bonecos, nada a ver com os Marretas ou a Rua Sésamo. Avenue Q é um misto de Friends e South Park para trintões e para gente que nunca viu um musical. Avenue Q foi escrito por dois moços saídos da universidade, sem dinheiro nem emprego, que, provavelmente, gostam mais do Cocas do que do Cats e que, hoje, são a parelha mais requisitada da Broadway. Avenue Q passa a ferro tudo e todos e põe toda a gente a cantar "It sucks to be me" e "Everyone's a little bit racist" e "The Internet is for porn". Durante dias e dias... Ponho a mão no fogo: provavelmente, o melhor musical da Broadway actualmente em cena.


Monty Python's SPAMalot

Lá está: o factor "fã-número-duzentos-e-setenta-e-oito-em-pulgas-com-a-expectativa-demasiado-alta" tem sempre tendência para estragar a coisa. Sim senhor, lá estão os punchlines dos Monty Python e a voz do John Cleese e o Always look on the bright side of life e os bonecos do Flying Circus e a rama do Holy Grail... Mas de resto, a coisa soa a show de casino ao jeito de cabaré com revista à portuguesa à mistura. Ele é meninas mal despidas, muita luz, muita cor, muito trapo, muito néon e, lá pelo meio, qualquer coisa de Monty Python. Vale a pena, sim senhor, que vale. É divertido, sim senhor, que é. Mas ou há ali qualquer coisa a mais (talvez os anos a pesar nas costas de Eric Idle) ou há ali qualquer coisa a menos (talvez aquele humor genial, cáustico e hilariante de outros tempos). É uma pena. Um fã quer gostar, quer mesmo gostar. Mas sai de lá triste...
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08 fevereiro 2007 

Breviário de palcos: prova dos novos

Ciclo novos x9: Novos actores

Quatro peçazinhas para famílias, amigos e curiosos. Quatro peçazinhas desiguais, quatro grupos desiguais de «novos actores» (e autores), quatro formas desiguais de encarar o palco e o teatro. Valeram os «Fragmentos» pela facilidade de viver o palco. Valeram as «Coisas» pelo texto. Valeu a «T.V.» pelo humor com sentido (e pelas irmãos Luís de Castro - tão crescidas que elas estão). Valeria, decerto, por alguma razão, a «Sala»... se não me tivesse rendido à fome.

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07 janeiro 2007 

Breviário de palcos: entre a montanha e o funeral

Música no coração, LaFéria-style

Fará sentido que, num musical, alguns dos protagonistas não saibam cantar? Fará sentido que, num musical, o ponto mais fraco sejam as canções (as letras, senhores, aquelas letras... e o cantar, senhores, quase a morrer...)? Fará sentido que, na adaptação portuguesa de um dos maiores musicais da Broadway, se tenha optado por adaptar... o filme? Fará sentido que uma produção deste calibre saiba a espectáculo amador, com tanto engano e tanta falta de alegria? Faz sentido pois, quando o encenador recebe o público atrás do balcão do merchandising a vender (e autografar) programas e a gritar como o homem dos gelados na praia.

Enfim, esqueça-se a má tradução das letras (e o constante rimar de "espera" com "primavera"), a falta de voz do Von Trapp, a cara de vítima da Maria, a coreografia excessivamente colada ao filme de Robert Wise e a hora de aperto na fila afunilada à entrada. Celebre-se, ao menos, a cenografia e as boas soluções técnicas em palco... e a boa acção prometida no Natal: levar as avós da família ao Politeama que, seja dita a verdade, estava cheio que nem o Colombo em dia de jogo.

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09 dezembro 2006 

Breviário de palcos: os porcos são nossos amigos

A nossa quinta, João Silva

Um bom texto (fresco, crítico, divertido), excelentes figurinos (alegres, práticos, arrojados) e um belo grupo de actores que merece aplausos só por estar em palco. Mais do que um espectáculo teatral em casa cheia, esta versão lusa 06 d'O Triufo dos Porcos é uma agradável sessão de terapia de grupo para actores e espectadores. E não é por ser "da família" que o digo, mas de cada vez que volta aos palcos, o GTT surpreende um bocadinho mais.

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15 outubro 2006 

Breviário de palcos: o escritor e o irmão do escritor

The pillowman - o homem almofada

«O único dever de um contador de histórias é contar uma história.»

Sábado à noite. Sala cheia - mas cheia mesmo, a abarrotar, sem um único lugar vago. Sala calada do princípio ao fim - mas sem um único ruído que não as gargalhadas na altura de rir, os sustos na altura de assustar, os suspiros na altura de tocar. Sala rendida - mas verdadeiramente rendida, desde a primeira fala até à ovação de pé, quase dez minutos de pé, que são pouco pela força brutal, genial, do texto, pela surpresa, tão agradável, das interpretações, pela certeza de uma das mais brilhantes encenações de que há memória na memória recente do nosso teatro.

Se o dever de uma peça de teatro é contar uma história, entreter, The pillowman cumpre o dever e deixa-nos a sonhar por mais, muito mais. Disse-o uma vez, há bem pouco tempo, e não encontro outra forma senão repeti-lo hoje: se o teatro existe, é por momentos assim; é para momentos assim. E é para nos deixar com vontade de ver mais coisas assim, como esta - tão só a mais admirável criação teatral do ano.

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16 setembro 2006 

Breviário de palcos: Floribela contra o Sandokan ou as bodas de Fígaro à portuguesa



Fígaro ama Floribela, que é a paixão de Sandokan, que é casado com a barata tonta, de quem Mary Poppins foi governanta. Mas Mary Poppins quer casar com Fígaro, incentivada pelo Tio Patinhas. Enquanto isso, o professor de música, o pajem assexuado, o jardineiro belfo e a lolita filha dele tudo fazem para atrapalhar a trama e esticar a ópera por mais de três horas, o que, convenhamos, não é o mais indicado, tendo em conta que as cadeiras do Trindade não são as mais confortáveis. Mesmo assim, aguentam-se as três horas pelo arrojo dos figurinos (alguns, que não o pijama de Fígaro) e dos cenários (parabéns, Joana) e pelo humor da encenação - desde a hilariante mudança de cenário entre os actos I e II até à gozação pura de uma coreografia baseada na cabeçada de Zidane.

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15 julho 2006 

Breviário de palcos: Na solidão dos campos de algodão

Na solidão dos campos de algodão

Não é todos os dias que conseguimos ser tão agradavelmente surpreendidos quando vamos ao teatro como me aconteceu esta noite. Como me aconteceu quando, esta noite, entrei no grande auditório da Culturgest, reduzido a pequeno espaço de partilha, como quando se juntam os amigos à volta de um segredo que se quer sussurrado. "Na solidão dos campos de algodão" é como um desses segredos, desses prazeres que se querem partilhados mas só entre amigos. É tão só um dos mais belos e luminosos textos que vi em palcos portugueses.

Não é todos os dias que conseguimos ser tão agradavelmente surpreendidos quanto fui eu, esta noite, pelas palavras de Koltès, pela dança criada por Boulay, pela música assombrada de Corso e, mais que tudo, pelos gestos, pela voz, pela presença em palco de Victor de Oliveira. E sobretudo, há muito tempo que o tempo não passava tão depressa como passou esta noite na solidão de uma plateia cheia. Se o teatro existe, é por momentos assim. É para momentos assim.

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B.I.

Coisas Breves

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